A autossabotagem disfarçada de rotina
- Cintia Natoli
- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Quantas vezes você já disse “não tenho tempo” sabendo, no fundo, que o tempo não era o verdadeiro problema?
Vivemos correndo, ocupando cada espaço da agenda, acreditando que produtividade é sinônimo de valor. Mas, muitas vezes, o que chamamos de rotina é só uma forma de evitar o confronto com o que realmente precisa ser transformado.
A mente é hábil em criar distrações. Ela preenche o dia com tarefas, compromissos, obrigações; e assim, mantemos a sensação de controle.
Só que, nesse processo, perdemos contato com o que é essencial.
Ficamos tão ocupados “mantendo tudo funcionando” que esquecemos de perceber se o que estamos sustentando ainda faz sentido.
Autossabotagem não é preguiça, é medo disfarçado. Medo de mudar, de se frustrar, de falhar, de sair do papel que já sabemos desempenhar bem. É mais confortável repetir o conhecido — mesmo que doa — do que encarar o desconhecido e lidar com o desconforto de crescer. Então, criamos desculpas bonitas para permanecer onde estamos.
Chamamos de falta de tempo, de responsabilidade, de fase. E assim, a vida vai se tornando um loop de justificativas.
Mas toda fuga tem um custo.
Quando ignoramos o chamado interno por mudança, o corpo e a mente começam a reagir. Vêm o cansaço sem causa aparente, a irritação, o desânimo, a sensação de estar “vivendo no automático”. Esses sinais não são fraqueza, são lembretes de que algo em nós está pedindo um novo caminho.
A verdade é que sempre encontramos tempo para o que realmente queremos — ou para o que acreditamos merecer. E é aí que a reflexão fica mais profunda: o que temos deixado de lado por achar que não somos dignos, capazes ou por não estarmos prontos o suficiente?
Porque o “não tenho tempo” muitas vezes é um “não me sinto pronto”.
Esperar se sentir pronto é uma grande armadilha, afinal, ninguém se sente pronto 100%.
A prontidão vem do movimento, não do pensamento.
Romper o ciclo da autossabotagem começa com um gesto simples: honrar o incômodo. Olhar para aquilo que já não encaixa com a vida que estamos levando. Reconhecer que a rotina que criamos pode estar servindo mais como prisão do que como estrutura. E, a partir daí, escolher, conscientemente, o que queremos continuar alimentando.
Toda mudança começa no instante em que paramos de mentir para nós mesmos.
Não é sobre o tempo, mas sobre o medo. Porque, no fundo, só quando temos coragem de encarar o que evitamos, que o tempo finalmente se abre e a vida começa, de fato, a se manifestar como reflexo do que vibramos.
O que você tem vibrado hoje?
Qual sabotagem está disfarçada de rotina?
Por: Cintia Natoli
Fisioterapeuta Clínica e Integrativa
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