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A autossabotagem disfarçada de rotina


Quantas vezes você já disse “não tenho tempo” sabendo, no fundo, que o tempo não era o verdadeiro problema?

Vivemos correndo, ocupando cada espaço da agenda, acreditando que produtividade é sinônimo de valor. Mas, muitas vezes, o que chamamos de rotina é só uma forma de evitar o confronto com o que realmente precisa ser transformado.


A mente é hábil em criar distrações. Ela preenche o dia com tarefas, compromissos, obrigações; e assim, mantemos a sensação de controle.

Só que, nesse processo, perdemos contato com o que é essencial.

Ficamos tão ocupados “mantendo tudo funcionando” que esquecemos de perceber se o que estamos sustentando ainda faz sentido.

Autossabotagem não é preguiça, é medo disfarçado. Medo de mudar, de se frustrar, de falhar, de sair do papel que já sabemos desempenhar bem. É mais confortável repetir o conhecido — mesmo que doa — do que encarar o desconhecido e lidar com o desconforto de crescer. Então, criamos desculpas bonitas para permanecer onde estamos.

Chamamos de falta de tempo, de responsabilidade, de fase. E assim, a vida vai se tornando um loop de justificativas.


Mas toda fuga tem um custo.

Quando ignoramos o chamado interno por mudança, o corpo e a mente começam a reagir. Vêm o cansaço sem causa aparente, a irritação, o desânimo, a sensação de estar “vivendo no automático”. Esses sinais não são fraqueza, são lembretes de que algo em nós está pedindo um novo caminho.


A verdade é que sempre encontramos tempo para o que realmente queremos — ou para o que acreditamos merecer. E é aí que a reflexão fica mais profunda: o que temos deixado de lado por achar que não somos dignos, capazes ou por não estarmos prontos o suficiente?


Porque o “não tenho tempo” muitas vezes é um “não me sinto pronto”.

Esperar se sentir pronto é uma grande armadilha, afinal, ninguém se sente pronto 100%.

A prontidão vem do movimento, não do pensamento.


Romper o ciclo da autossabotagem começa com um gesto simples: honrar o incômodo. Olhar para aquilo que já não encaixa com a vida que estamos levando. Reconhecer que a rotina que criamos pode estar servindo mais como prisão do que como estrutura. E, a partir daí, escolher, conscientemente, o que queremos continuar alimentando.


Toda mudança começa no instante em que paramos de mentir para nós mesmos.

Não é sobre o tempo, mas sobre o medo. Porque, no fundo, só quando temos coragem de encarar o que evitamos, que o tempo finalmente se abre e a vida começa, de fato, a se manifestar como reflexo do que vibramos.


O que você tem vibrado hoje?

Qual sabotagem está disfarçada de rotina?



Por: Cintia Natoli

Fisioterapeuta Clínica e Integrativa

Saúde Integrativa | Estilo de Vida | Gerontologia | Espiritualidade

 
 
 

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