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A liberdade do descontrole


Quando estamos com tudo sob controle, na verdade estamos beirando a loucura, a alienação.


Uma pessoa que pensa que está com tudo sob controle, na verdade está andando em direção a um imenso precipício e mal consegue perceber os riscos, já que está muito ocupada com seus planos e planejamentos.


Ela até consegue prever os riscos do que envolve o próprio plano, mas esquece que existem outros fatores, muitas vezes imprevisíveis dos quais ela nem pode imaginar que seriam possíveis, como por exemplo, a pandemia que nos chacoalhou em 2019/2020.


Quantos de nós subestimamos a pandemia, mantendo nossas rotinas todas sob controle e acreditando que não chegaria até nós?

E quando chegou, quantos de nós insistiu em manter a rotina, acreditando que logo passaria e se enrolou ainda mais em algumas questões?


Todos? Claro que não, mas alguns de nós, sim!


E mesmo que você não tenha agido assim na pandemia, certamente você já apostou umas fichas em outras situações que você achou que estavam ganhas, mas a vida foi lá e te mostrou quem é que dá as cartas, não é mesmo? (risos)


Quando abrimos mão do controle, também abrimos mão das frustrações geradas pelas expectativas e consequentemente, de todo sofrimento que vem atrelado a elas.

Abrir mão do controle é permitir que várias outras possibilidades se apresentem para você e te permitam escolher melhor, qual caminho seguir e qual não seguir.


Possibilidades são parâmetros, podem servir de comparativo e te levar a situações muito melhores das que você poderia imaginar.


Sem dúvida, planejar-se é importante, mas com sabedoria e maturidade para compreender que as coisas podem não sair da forma que você esperava e está tudo bem!

Quem age diferente disso, não entendeu muito bem as regras desse jogo da vida.

Quando você espera o erro da mesma forma que espera o ganho, você nunca é pego de surpresa e vive em equanimidade. Vive com muito mais liberdade!


Ficar preso aos resultados é se colocar em uma jaula e não conseguir sair dela, pois tudo, absolutamente tudo, depende de você e do seu controle. Imagine você, senhor do próprio destino, largando o posto? O que será de nós, não é mesmo? (contém ironia)


A verdade é que se você se permitir sair um pouquinho do controle e dar mais espaço para as pessoas e para as situações, tudo fluirá da mesma maneira e vai se resolver da mesma forma, com o sem você. Da sua maneira ou não. Afinal, não existe apenas um jeito de fazer as coisas, existem vários!


Mas para um controlador a forma dele é sempre a mais eficiente e correta. E é exatamente assim que ele vai perdendo pessoas e oportunidades, deixando de conhecer novas perspectivas e soluções; OU fazendo tudo dar super certo (pelo menos pelo seu prório ponto de vista e da sua maneira), se tornando escravo deste lugar que ele mesmo escolheu se colocar. E aí, ninguém é suficiente para o controlador só será se for muito obediente e passivo. Se não for assim é questão de tempo para o controlador voltar ao seu padrão e novamente, fazer o que bem entende, preso do seu mundinho enjaulado. (que ele acredita ser super poderoso e cheio de autonomia, liberade - o iludido).


E omais curioso disso tudo sabe o que é?

A pessoa sofre, se queixa ou lamenta. Tem tendência a criticar as pessoas, como se elas não fossem tão boas quanto o controlador, que obviamente tem solução e sabedoia para lidar de forma prática com todas as questões do universo! (novamente contém ironia).


O controlador julga, critica, pontua, reclama e tem a falsa ilusão de que se fosse ele, faria melhor e diferente, mas na verdade, ele mal consegue enxergar todas as correntes que ele se coloca e por isso, segue enjaulado em sua prórpia forma de ver as coisas, filtrando o que serve e o que não serve pela sua limitada régua e fazendo tudo a sua maneira, sem desenvolver sua capacidade de apenas observar a vida e respeitar toda fluidez que há nela.


Afinal, até a vida o controlador quer controlar. Mas contra a vida, meu caro controlador, não há quem possa. Ninguém sai vivo dela... nem você, meu alecrim dourado.



Escrito por: Dra. Cintia Natoli

Fisioterapeuta Integrativa

Saúde Integrativa | Estilo de Vida | Gerontologia

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