O corpo não mente, não esconde e não releva
- Cintia Natoli
- 4 de nov.
- 2 min de leitura

O corpo fala. Sempre. Mas nem sempre temos tempo para ouvi-lo.
E quando o corpo fala, não é uma punição, mas um alerta de algo já não está em harmonia e não dá mais para relevar.
Dores, cansaço, tensões, alterações de sono, peso e humor — nada disso acontece por acaso. Tudo o que o corpo manifesta é uma tentativa de comunicação. Ele expressa, no físico, o que o emocional e o mental tentaram guardar e administrar. A boca cala, o corpo, nunca. Ele sempre encontrará uma forma de trazer para a luz, o que tentamos manter nas sombras.
Nosso corpo não é apenas biologia. É também memória, emoção, energia em movimento. Cada músculo guarda histórias; cada parte do corpo traduz algo que vivemos, sentimos e às vezes preferimos esquecer ou fingimos esquecer para poder seguir em frente, sobreviver.
Uma dor que se repete pode estar pedindo algo simples: descanso, cuidado, mudança. Mas também pode estar pedindo VERDADE.
A coragem de olhar para o que não está mais cabendo, mesmo quando isso incomoda, mesmo quando assusta.
Quantas vezes você já percebeu um desconforto e preferiu ignorar?
Tomou um remédio, apertou o passo, deixou para depois?
O corpo observa tudo isso em silêncio. Resiliente ele vai até onde suporta...
Ele não reage com raiva, mas também não esquece. Ele espera o momento de ser ouvido. E quando não é, fala mais alto. Nos obriga a olhar para dentro, nos empurra para o autocuidado. E se não for pelo amor, será pela dor.
E não porque quer te limitar, mas porque quer que você recupere sua essência. Que você encontre seu eixo, que se sinta a vontade para ser você — retornar para seu estado natural de equilíbrio.
Na saúde integrativa, aprendemos que cada sintoma é uma informação. E quando entendemos isso, o olhar muda. A dor deixa de ser inimiga e passa a ser um sinal de desarmonia. O sintoma é a oportunidade que temos para reorganizar corpo, mente e energia. A chance de recalcular a rota e buscarmos harmonia.
O sintoma é a sirene interna de que algo está errado.
O corpo é um mapa: o físico aponta o que o emocional sente, o mental decodifica e o espiritual tenta restaurar. Ignorar isso é como tapar o sol com a peneira. É dobrar uma aposta de alto risco. É caminhar pelo percurso mais difícil, mesmo sabendo que existe uma trilha mais leve e agradável para seguir.
Cuidar de si não é eliminar o sintoma, mas compreender o que ele representa.
Às vezes, é o corpo pedindo por descanso, por silêncio, por um novo ritmo. Outras vezes, é um lembrete de que nos afastamos de quem realmente somos.
E não existe exame que substitua essa escuta.
Então, antes de buscar o alívio imediato, escute o recado.
Nem toda dor é física — e nem toda cura está em um remédio.
O corpo não mente, não esconde e não releva.
Ele apenas traduz, com exatidão, aquilo que sentimos — de forma consciente ou não, aquilo que ainda não conseguimos admitir, perceber ou que insistimos em negar.
Por: Cintia Natoli
Fisioterapeuta Clínica e Integrativa
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